Resenha/Opinião: Muito se engana aqueles que pegam essa obra nas obras e pensa que por ter poucas páginas, a narrativa será rasa e simples, todo e qualquer escrito do autor russo é um mergulho de cabeça em águas profundas da literatura clássica. Os dois contos são monólogos, o que força o leitor a ter atenção redobrada durante a leitura para entender todos os fatos, em alguns momentos precisei reler algumas partes (atitude bem comum durante a leitura de qualquer obra de Dostoiévski) para me localizar na história.
A dócil nos apresenta um casamento de um homem de 41 com uma moça de 16 anos de família humilde, acompanhamos o desenvolver do relacionamento dos dois personagens, baseado da parte do homem como uma tentativa de se autovangloriar perante a sociedade por estar se casando com uma moça de origem humilde, enquanto que por parte da moça a conveniência da união era para se ver livre de uma família abusiva. A narrativa gira em torno da tentativa de entendimento do narrador dos motivos que levaram sua esposa ao suicídio, para isso ele volta analisando todo o relacionamento que teve com ela, claro que narrando as situações do seu próprio ponto de vista, muitas das situações podem ser tendenciosas para exibir o narrador como bom moço, o que o leitor pode deduzir que nem sempre era verdade. Excelente leitura.
Dostoiévski é conhecido por escrever obras que obrigam o leitor a pensar, podemos esperar de todas as obras do autor leituras profundas e cheias de significados, sou suspeita para falar porque amo obras que me fazem ter aquela ressaca literária pós leitura, se você também gosta dessa sensação deve explorar mais a fundo o autor russo e aqui está um bom ponto de partida.
Sobre o autor: Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski nasceu em Moscou em 1821, e estreou na literatura com o romance Gente pobre, em 1846, ao qual se seguiram O duplo (1846) e Noites brancas (1847), entre outros. Após ser preso e condenado à morte pelo regime tsarista em 1849, teve sua pena comutada para quatro anos de trabalhos forçados na Sibéria, experiência retratada em Escritos da casa morta, livro que começou a ser publicado em 1860, um ano antes de Humilhados e ofendidos. Após esse período, escreve Memórias do subsolo (1864), Um jogador (1867), O eterno marido (1870) e uma sequência de grandes romances, Crime e castigo (1866), O idiota (1869), Os demônios (1872) e O adolescente (1875), culminando com a publicação de Os irmãos Karamázov em 1880. De 1873 até o ano de sua morte publicou ainda o Diário de um escritor, reunindo peças jornalísticas e de ficção. Reconhecido como um dos maiores autores de todos os tempos, Dostoiévski morreu em São Petersburgo, em 1881.



0 Comentários