[RESENHA #962] O CLUBE DE XADREZ DA MORTE - JOHN DONOGHUE

 

Sinopse: "Você seria capaz de perdoar o imperdoável?Emil Clément, antes conhecido apenas como Relojoeiro, é um ex-prisioneiro judeu e sobrevivente de Auschwitz. Durante seu período no campo de concentração, ele acabou participando de um torneio de xadrez contra guardas e oficiais nazistas. Caso ele ganhasse uma partida, a vida de um prisioneiro seria poupada; se fosse derrotado, ele perderia a própria. Paul Meissner, um padre quase à beira da morte, também esteve em Auschwitz. Ele foi o oficial que fez o Relojoeiro começar a jogar xadrez no campo. Em 1962, transcorridas quase duas décadas de Auschwitz, Clément e Meissner estão cara a cara em um campeonato mundial de xadrez na Holanda. O oficial Paul Meissner chega a Auschwitz vindo direto dos combates no front russo. Tendo sido gravemente ferido, ele está apto apenas a tarefas administrativas e precisa melhorar o desempenho das fábricas que o campo de concentração atende. Além disso, uma de suas missões é restaurar o moral esmorecido entre os oficiais e praças ali alocados. Meissner cria, então, um clube de xadrez, que faz sucesso e logo se torna um pequeno campeonato em que se realizam apostas clandestinas sobre os resultados das partidas. No entanto, ao descobrir que o xadrez também vem sendo jogado entre os prisioneiros, ele fica intrigado com o boato sobre um judeu invencível. O oficial decide investigar a história, e suas descobertas vão fazê-lo lidar com a realidade brutal de Auschwitz e questionar tudo em que acredita. Um livro profundamente comovente sobre uma amizade improvável, O clube de xadrez da morte nos desafia a refletir sobre quais seriam os próprios limites do perdão e qual poderia ser o preço de uma vida inteira de rancor."

Resenha/Opinião: Escrito por John Donoghue e publicado originalmente em 2015, "O clube do xadrez da morte" chegou ao Brasil em 2021 por meio da Rocco. Dononghue. A história começa em 1962, cerca de 17 anos após o término da Segunda Guerra Mundial e somos levados para Amsterdã, capital holandesa onde está ocorrendo um campeonato internacional de xadrez. É na cidade holandesa que conhecemos Emil Clément, um judeu que carrega um passado doloroso, ele foi prisioneiro do Terceiro Reich, mais especificamente esteve preso em um campo de concentração e vivenciou todos os horrores e crueldades da guerra, algo que ele jamais esqueceu.


É na capital holandesa que Clément, mais especificamente no campeonato internacional de xadrez que ele relembra o passado, bem como os horrores da guerra. Antes de estourar o conflito mundial e as perseguições contra os judeus, Clément tinha uma família e uma esposa que amava profundamente, além disso ele trabalhava como relojoeiro. Contudo, com o advento da guerra Clément foi separado da sua família e viu todos aqueles que amava sendo levados à força para destinos desconhecidos, ou seja, ele ficou sem notícias das pessoas que estavam em sua vida, mas ele nunca perdeu a esperança de rever todos aqueles que sempre amou.

É durante o período que estava preso que Clément conhece Paul Meissner, um oficial nazista que foi ferido no front russo, pois após o ferimento ele foi realocado para o temido campo de concentração em Auschwitz. A missão de Meissner era bem clara, ele deveria melhorar o desempenho dos judeus, as fábricas instaladas no campo de concentração deveriam produzir mais. Enquanto busca formas de melhorar a produção das fábricas, Meissner tem uma ideia para aproximar os oficiais nazistas, a criação de um clube de xadrez e isso dá muito certo. Contudo, não demora muito para Meissner perceber que os prisioneiros judeus amam o jogo e há entre eles um enxadrista considerado invencível, Emil Clément.


Inconformado, Meissner quer colocar as qualidades de Clément à prova, mas o prisioneiro nunca foi um jogador profissional e nunca teve o objetivo ou vontade de jogar contra os oficiais nazistas, mas como prisioneiro não existe vontade ou o direito de ir e vir, ele é simplesmente obrigado a enfrentar os nazistas e o prêmio maior é a sua vida, esse é um jogo de vida ou morte, além disso, para cada vitória ele receberá mais comida e regalias, algo que poderá aumentar a sua chance de sobrevivência no campo de concentração. Enquanto as partidas ocorrem no Clube de Xadrez da Morte, há diversas apostas clandestinas, elas envolvem muito dinheiro, bem como a vida e o futuro de muitas pessoas.

O Clube do Xadrez da Morte foi uma leitura que me surpreendeu positivamente, pois eu fiquei imaginando como seria esse clube envolvendo oficiais nazistas e prisioneiros judeus em plena segunda guerra mundial, sem contar que aqui a luta pela sobrevivência é de certa forma diferente. O livro é uma obra de ficção ambientada em um dos períodos mais tristes da história da humanidade e ao longo da leitura nos vemos o quão pouco de valor o ser humano trata a vida do seu semelhante, mas o autor também nos leva a questionar se é possível perdoar o imperdoável, nos faz refletir sobre as mazelas da guerra, mas também sobre a improvável amizade entre um judeu e um nazista. Em suma, esse é um livro excelente e recomendo para todos!


Sobre o autor: John Donoghue trabalhou na área da saúde mental por mais de vinte anos e escreveu vários artigos sobre o tratamento de doenças mentais em várias revistas médicas. Ele é casado e mora em Liverpool

Ficha técnica:
Título:
O clube do xadrez da morte
Autor: John Donoghue
Tradução: Waldéa Barcellos
Editora: Rocco
Páginas: 336
Ano: 2021
ISBN: 9786555321128
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